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Quinta, 17 de Abril de 2014
Indígenas
Povos indígenas em Goiás
02/08/2012 17h35

Registros históricos dão conta de que, durante o ciclo do ouro (o apogeu foi entre 1751 e 1778), as tribos indígenas eram numerosas no território goiano, apesar da passagem repetida das bandeiras durante mais de 100 anos. Silva e Souza cita 20 tribos diferentes “entre as nações selvagens habitantes da capitania de Goiás”. 

Desde os seus primeiros tempos, a colonização levou à ocupação das terras indígenas, à escravização dos mais pacíficos e choques intermitentes com tribos que resistiam. Cativos, os pequenos grupos foram submetidos a cruzamentos raciais, houve sua degeneração e a extinção de índios. 

Foram vários os choques entre índios e mineradores. Na região leste do Tocantins, as tribos Acroá, Xacriabá e Assus atemorizavam as populações de Arraias, Cavalcante e Natividade. Foram organizadas bandeiras contra os índios. Vencidos, os índios concordaram em aldear-se. Com isso, surgiram as aldeias de Duro e Formiga.

Índios do interior

Historiadores consideram difícil calcular o total da população indígena em Goiás por ocasião da chegada das bandeiras paulistas, no início do século XVIII. Indicadores pareciam apontar a população indígena goiana como resultante  de movimentos migratórios, mesmo após a chegada das bandeiras paulistas. Foi o caso dos Tapirapés, que migraram do Rio Tocantins, em Goiás, para a margem esquerda do Araguaia, em Mato Grosso. 

O padre Luiz Antônio da Silva e Souza, em 1812, em seu Memória sobre o Descobrimento, Governo, População e Coisas Mais Notáveis da Capitania de Goiás, conseguiu relacionar 18 nações indígenas em Goiás. 

O livro História de Goiás em Documentos – I. Colônia (Editora UFG, 1994), de Luis Palacín, Ledonias Franco Garcia e Janaína Amado, faz referência a documento elaborado pela pesquisadora Dulce Maria Pedroso que aponta para as seguintes tribos de Goiás, naquela época: Caiapós, nação bravíssima, residente nas aldeias Maria e São José, ao sul de Vila Boa; Xavantes, nação mais feroz e numerosa, residente na aldeia do Carretão, entre os rios Araguaia e Tocantins; Goyazes, nação mais branca que os índios da capitania de Goiás, habitantes das vizinhanças da Serra Dourada; Crixás, ferozes, que habitavam o lugar onde se fundou o arraial de Crixás; Araés, que habitavam debaixo do Rio das Mortes; Canoeiros, nação crudelíssima e muito belicosa, giram em canoas pelos rios Tocantins, Paranã, Manoel Alves e Barra da Palma; Apinagés, situados em cinco aldeias junto à Cachoeira de Santo Antônio, no Araguaia, e Capepuxis, nação preguiçosa, com aldeias junto ao Araguaia. 

A penetração dos mineiros e criadores de gado nos sertões levou à resistência de tribos ainda mais temíveis, como Canoeiros, Javaés e Xavantes. Quase no fim do século XVIII, a Câmara de Vila Boa (conforme Luís Palacin, em O Século do Ouro em Goiás – Editora da UCG, 2001), escrevia à rainha (de Portugal) pedindo que conservasse no cargo o governador Tristão da Cunha Menezes, que conseguira reunir mais de três mil Xavantes na aldeia de Carretão. 

Depois de muito insucesso, a partir do Marquês de Pombal, o governo português reconheceu que seria impossível povoar a capitania sem a presença dos índios e lembrou que, desde o princípio, os colonizadores da América do Norte ganharam a benevolência dos índios “por meio da suavidade e brandura, fazendo-os presentes para os atraírem”.

 

 

Escravos indígenas

Ao pesquisar inventários dos séculos XVI a XVIII, em 2000, Alfredo Ellis Júnior (dados do livro Economia e Escravidão na Capitania de Goiás, Gilka Vasconcelos de Salles, Cegraf) encontrou a média de 8 mil índios e 265 africanos em São Paulo. Sérgio Buarque de Holanda transcreve informações de João Mojelos Garcez que dá conta de 24 mil homens de guerra em São Paulo, dos quais 20 mil seriam índios.

O pesquisador relaciona como uma das causas da escravidão indígena a ausência de uma atividade exploradora lucrativa entre os paulistas e por ser a mão-de-obra escrava mais barata e de fácil aquisição. 

A busca dos paulistas pelo ouro era estimulada pela coroa portuguesa e sustentada pela presença de índios escravizados e pelos negros que chegavam pelo Porto de Santos. 

 

Classificação lingüística

Conforme Aryon Dall’Igna Rodrigues, de quem se tem a classificação lingüística mais recente, os índios que habitavam a então Província de Goiás pertenciam em sua maioria (dez línguas) ao tronco Macro-Jê, família Jê (grupos Akwen, Avá-Canoeiro e Tenetehara) pertenciam ao tronco Tupi, família Tupi-Guarani.

Além da língua, os índios de Goiás podem ser classificados também por aspectos culturais, disposição e forma das habitações, tamanho das aldeias, organização social, a presença ou não de cerâmica em sua cultura, práticas de cultivo, técnicas de subsistência, instituições políticas e tipos de parentesco.

Assim, os Jê foram caracterizados por apresentarem uma tecnologia bastante rudimentar e uma organização social complexa. Subdividem-se em Timbira Ocidentais (Apinajé) e Orientais (Krahó); Kayapó Meridionais (Kayapó de Mossâmedes) e Setentrionais (Gorotire e Gradahu); Karajá (Xambioá, Karajá e Javaé) e Akwen (Xavante e Xerente).

Menos numerosos, os Tupi subdividem-se em Tapirapé, Tenetehara (Guajajara) e Avá-Canoeiro. 

Os Xavante formavam várias aldeias, na segunda metade do século XX. Algumas dessas aldeias estavam em contato permanente com a população branca, como os aldeamentos Janimbú e Tereza Cristina). Outros grupos, localizados na região do Rio das Mortes, ainda eram considerados selvagens por não manterem nenhum contato com a “população nacional”, conforme Leandro Mendes Rocha, em O Estado e os Índios: Goiás 1850-1889 (Editora UFG). 

Devido a fatores como os embates provocados pelas frentes de expansão, houve o extermínio de grande contingente da população indígena. Boa parte dos que conseguiram sobreviver foram obrigados a inserir-se na economia regional como mão-de-obra barata, em situação de miséria.

Com isso, a população indígena de Goiás, que era estimada em 30 mil indivíduos na segunda metade do século XIX, não chegava a 4 mil no final do mesmo século.

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